Saúde

Obras Sociais Irmã Dulce pedem socorro para evitar fechamento

Instituição está sem repasses do Ministério da Saúde há pelo menos dois anos

Amar e servir. O lema de Irmã Dulce ganhou o mundo e a baiana, devido a suas obras e milagres atribuídos a ela, foi canonizada na igreja católica, onde se tornou Santa Dulce dos Pobres. Entretanto, prestes a completar 30 anos da morte da freira, as Obras Sociais que levam o nome dela pedem socorro e ajuda para poder continuar ajudando e levando dignidade para a vida das pessoas.

 

As Obras Sociais Irmã Dulce (OSID), um dos maiores complexos de saúde do país com atendimento 100% gratuito, estão vivendo a pior crise financeira da sua história. Responsável pela realização de 3,5 milhões de procedimentos ambulatoriais por ano na Bahia (confira lista completa de atendimentos mais abaixo), a instituição vem atravessando um momento extremamente delicado, com um déficit operacional de R$24 milhões, valor que ainda pode ser acrescido em R$20 milhões até o final do exercício de 2022.

Lucrécia Savernini de Freitas, gestora de Saúde das Obras, falou sobre a situação do local e das dificuldades enfrentadas.

“A gente sobrevivia com os aportes que o Ministério da Saúde nos dava, mas tem dois anos que não recebemos e isso fez com que a gente chegássemos nesse déficit de R$ 24 milhões. Isso gera uma insustentabilidade”.

A gestora afirma que já entraram em contato com a Secretária de Saúde do Estado e com o Ministério da Saúde, mas devido à crise da Covid-19, esses aportes pararam o governo federal e estadual não se pronunciaram sobre a situação.

Lucrécia também conta que devido à crise na saúde, os valores com alguns insumos aumentaram.

“Com os protocolos de saúde da Covid-19, os gastos aumentaram. Para se ter uma ideia, só de máscara tripla a gente gastava R$ 50 mil. Atualmente esse valor está em R$ 700 mil. Tivemos um aumento de custo exorbitante na área. Juntando três itens, que é a máscara tripla, avental cirúrgico e luvas, só esses itens dá um custo adicional de R$ 4 milhões”, disse ela.

Apesar do momento difícil, a gestora prefere não pensar nas consequências que esse déficit pode causar. Apegada a fé, ela disse que acredita que tudo vai se resolver e que fechar as Obras Sociais Irmã Dulce não é uma opção.

Pacientes e profissionais

Apesar do momento difícil enfrentado no local, as pessoas lutam contra o momento ruim e seguem em frente para manter o local ativo e atendendo mais de duas mil pessoas por dia.

Rômulo de Almeida é enfermeiro há 13 anos, e falou do amor e sonho realizado de trabalhar na OSID.

“Eu tenho recente aqui 30 dias. Trabalhar nas Obras sempre um foi um sonho um objetivo de profissão. Pelo que significa e a importância dessa instituição. Quando me deparo com a atual situação, penso que a população e o poder público deveria olhar com mais carinho para um lugar que as vezes é a única porta de entrada para que as pessoas possam ter acesso a serviços média e alta complexidade na Bahia”, desabafou.

Aderval Queiroz da Silva está internado há três dias no local. Aos 64 anos, ele é só elogios as pessoas do local e fala das dificuldades da instituição.

“Sempre bem atendido aqui, me tratam muito bem. No momento a fase é feia, ainda mais com essa situação da Covid-19. Mas, apesar disso, o atendimento é muito bom”.

Doações

Para ajudar a manter vivo o legado de amor e serviço de Irmã Dulce, é possível doar qualquer quantia através do PIX [email protected]; ou efetuar uma doação a partir do site www.irmadulce.org.br/doeagora. Mais informações sobre como ajudar a OSID podem ser obtidas também através da Central de Relacionamento com o Doador, no telefone (71) 3316-8899.

A OSID hoje

Uma das mais respeitadas instituições filantrópicas do Brasil, a OSID responde por números expressivos de atendimento junto à população:

– 3,5 milhões de procedimentos ambulatoriais por ano na Bahia;

– 2,9 milhões de pessoas acolhidas por ano no estado;

– 23 mil cirurgias e 43 mil internamentos realizados anualmente na Bahia;

– 2,1 milhões de refeições servidas por ano para os pacientes;

– 954 leitos hospitalares somente na sede da OSID, em Salvador;

– 10,8 mil atendimentos por mês a pessoas com deficiência, na capital baiana;

– 9 mil atendimentos mensais para tratamento do câncer em Salvador.

Crédito varela Net

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